
Os imigrantes estão voltando, ao mesmo tempo em que o triste passado vem à tona. E os turistas aproveitam
Agência Estado
Entre planícies e florestas que mais parecem saídas dos contos de fadas, a Rzeczpospolita Polska, ou República da Polônia, já protagonizou batalhas tão sangrentas que chegam a ser cinematográficas. A posição geográfica privilegiada - seu território faz fronteira com nada menos que nove países, por terra e mar - sempre aguçou os instintos dos invasores. Por isso, o país foi constantemente disputado e ocupado ao longo de seus mais de mil anos de história (o primeiro registro de um Estado polaco data do ano 966). Sofreu, como poucos, os horrores e a destruição decorrentes da Segunda Guerra Mundial e ainda amargou duros anos nas mãos de um governo comunista totalitário.
Hoje, porém, a Polônia é um país vivo, que passa por um grande e bem-sucedido processo de reconstrução e de crescimento econômico. A invasão, agora, é somente turística.
VitalidadeEconomia de mercado em ascensão, a Polônia exporta talentos, mão-de-obra e é presença marcante na cobiçada União Européia desde 2004 - apesar disso, o país ainda usa o zlot como moeda oficial e deve adotar o euro entre 2012 e 2014.
Uma das maiores provas da atual vitalidade polonesa é a espécie de diáspora ao contrário da atualidade. Até pouco tempo atrás, a economia, que ainda tentava se afirmar no mercado comum europeu e cuja moeda perdia fácil para o euro, exportava mão-de-obra barata para países de toda a Europa, principalmente para a Grã-Bretanha.
Essa maré, porém, tem se revertido. ''Na Polônia, só não encontra trabalho quem não quer. O país está crescendo; há uma obra em cada esquina'', dizia um operário polonês, ao saber que o jornal The Guardian dedicara, em fevereiro, reportagem especial ao que pode ser chamado de Renascimento Polonês.
Os trabalhadores poloneses - os operários ou a mão-de-obra qualificada - estão voltando para casa. ''O euro caiu. A libra também. É muito melhor ganhar menos, mas trabalhar perto da minha família'', dizia, orgulhoso, o tal operário.
Abertura
Esse clima de vitalidade é acentuado pela recente abertura política e cultural. Arquivos e a memória que permaneceram soterrados por décadas pela censura do regime comunista começaram a vir à tona já em 1989, quando o país deixou de pertencer ao bloco soviético e se tornou uma república parlamentarista.
Décadas de silêncio, que haviam fechado corações e mentes desde a arrasadora ocupação nazista (que tomou o país em setembro de 1939), estão sendo estudadas e escavadas com primor arqueológico pelos apaixonados pela história de um dos países mais complexos da Europa.
Hoje presidida por Lech Kaczynski, a Polônia se declara aberta à discussão histórica de temas dolorosos e ainda recentes, como o Holocausto, o comunismo e a atual relação com a comunidade judaica (muitos sobreviventes que conseguiram escapar da matança nazista jamais pisaram de volta em sua terra natal). A Polônia, aliás, foi o país que proporcionalmente mais vidas perdeu durante o conflito. Seis milhões de seus cidadãos (metade deles, judeus) morreram durante a guerra.
Por tudo isso, é inegável que a história do século 20 passa pelo território polonês. E uma das formas mais interessantes de desvendar esse legado é percorrer os trilhos da Segunda Guerra. Seja pela herança deixada pelos que bravamente resistiram à ocupação nazista ou pelos tristes, mas testemunhas cruciais de um tempo, campos de concentração. A história se descortina no país.
E a Polônia se abre a essa história. Além de trazer à tona tesouros soterrados, o país é palco de uma das mais significativas peregrinações histórico-humana-cultural-religiosa da atualidade: a Marcha da Vida.
Serviço
Passagem aérea
O trecho SP-Varsóvia-SP custa a partir de US$ 969 na Lufthansa (0--11-3048-5800), US$ 974 na Air France (4003-9955), US$ 1.027 na British (4004-4440) e US$ 1.032 na KLM (4003-1888). Os vôos têm conexão.
Pacotes*
US$ 1.210
Quatro noites em Varsóvia com café. Na Inside (0--11-4508-8010;
www.insideviagens.com.br)US$ 2.428
Seis noites entre Varsóvia, Cracóvia e Zakopane, com café, 5 refeições e passeios. Na Nascimento Turismo (0--11-3156-9944; www.nascimento.com.br)
US$ 2.646,67
US$ 2.646,67
Oito noites entre Varsóvia, Poznan, Wroclau e Cracóvia com a New Line (0800-600-2524; www.newline.tur.br). Inclui café, 4 jantares, 3 almoços e passeios
US$ 2.693
US$ 2.693
Seis noites entre Varsóvia, Cracóvia e Zakopane com a Intravel (0--11-3206-9000; www.intravel.com.br). Inclui passeios
US$ 2.780
US$ 2.780
Seis noites entre Varsóvia e Cracóvia com café e passeios. Na New Age (0--11-3138-4888; www.newage.tur.br)
*Preço por pessoa em quarto duplo, com aéreo