
Agência Estado
Belas praias e agito resumem a superstar mexicana, remodelada depois da passagem do furacão Wilma
Passa pouco das 13 horas de terça-feira, uma terça-feira ensolarada como se espera que sejam todos os dias em um lugar que parece existir para servir de moldura a rostos felizes em fotos de férias perfeitas. O azul caribenho e o ritmo de feriado eterno confirmam o estereótipo. Mas falta algo para a superstar mexicana ser um típico destino de praia. Pode ser a faixa de areia, artigo de luxo na Cancún atual. Ou um pouco de natureza, já que a costa é ocupada por uma gigante fila de hotéis e resorts. Superurbana.
Completamente remodelada menos de três anos depois da passagem do furacão Wilma, a área turística - uma ilha com o formato de 7, separada do continente pela Lagoa Nichupté - surge repleta de novidades. ''Tudo isso ficou como se tivesse sido batido em um liquidificador'', conta a relações-públicas do Convention & Visitors Bureau local, Erandeni Abundis. Dos prédios, restou a carcaça. E, nas praias, as ondas.
Foram investidos US$ 30 milhões só para recompor um pouco da faixa de areia e para construir barreiras de contenção que evitam que o mar leve o que agora é uma preciosidade praticamente privatizada pelos hotéis. Pela lei, as praias são públicas. Mas, na prática, há apenas seis acessos ao mar para quem não está hospedado na orla. Um é a Praia Delfines, conhecida como Praia do Mirante, no começo da avenida dos hotéis.
REDESCOBERTA
Metade dos turistas que a cidade recebia antes do Wilma já voltou - no ano passado, 3 milhões visitaram Cancún. Os americanos, que não precisam de visto para ir ao México, são os principais freqüentadores. Na primeira semana de março, por exemplo, o balneário parecia um filme de sessão da tarde. Hordas de estudantes iam de um lado para o outro, aproveitando a folga do spring break.
Apesar do grande número de adolescentes nas ruas, as autoridades garantem que os springbreakers correspondem a menos de 1% dos visitantes. ''São poucos, mas fazem barulho. Por isso parecem muitos'', diz Erandeni, do Convention Bureau. Não quer topar com os garotos? Evite os hotéis all-inclusive, os preferidos deles, por causa das refeições incluídas.
HERANÇA MAIA
Apesar de as cadeias de fast food e as lojas americanas serem onipresentes, Cancún se esforça para resgatar a herança maia. O povo habitava toda a Península de Yucatán quando os espanhóis chegaram, em 1508. Em tempo: os maias não foram extintos - descendentes estão entre os trabalhadores locais.
Criada há 38 anos, Cancún (''ninho da serpente'', em maia) foi desde o início projetada para ser um superdestino turístico. Mas a cidade não deixa de ter relíquias, como as ruínas El Rey, que teriam sido uma hospedaria. O local está aberto das 8 às 17 horas, com entrada a 35 pesos (R$ 5,52).
Uma opção para ver as feições maias é se aventurar pelo centro. Ali, a surpresa: uma cidade real, com ruas bonitas e feias, mercados populares e hora do rush, bem diferente do mundo colorido e brilhante dos hotéis. Vá de ônibus (6,50 pesos ou R$ 1,03) ou de táxi. Neste caso, negocie antes - o taxímetro simplesmente não existe.
... E CINCO PARA NÃO IR
Tirar visto para o México (exigidos dos brasileiros desde outubro de 2005) é um transtorno. No consulado do país em São Paulo, são atendidas 150 pessoas por dia, sem agendamento, o que obriga os interessados a entrar na fila de madrugada. A falta de cordialidade também é notável
Não existe silêncio em Cancún. Há sempre música no ar: nos shoppings, na área de lazer dos hotéis, nas baladas. Nem que o ruído seja trazido pelo vento
O trânsito é caótico, principalmente no fim da tarde. No Boulevard Kukulcán, a principal avenida da área hoteleira, o congestionamento ganha ares dramáticos porque não existem rotas de fuga
Há filas na porta das baladas, nas lojas mais movimentadas e em alguns restaurantes
Preservar a natureza não é o forte por lá
CINCO MOTIVOS PARA IR...
O Mar do Caribe pode ser visto de praticamente qualquer ponto da área turística de Cancún, graças à geografia local
Comprar é mesmo vantajoso na cidade. Dá para gastar sem (muita) pena, porque o real está valorizado em relação ao peso e não são cobradas taxas aduaneiras, o que reduz os preços
Há restaurantes de todas as nacionalidades possíveis. Até uma churrascaria brasileira. Além de ótimas opções para quem quer se esbaldar com guacamole
Os horários acompanham o ritmo dos turistas. Pode-se dormir até tarde depois da balada porque a maioria dos hotéis estende o café até meio-dia. O comércio fecha às 22 horas
Americanos são maioria entre os visitantes que circulam pela cidade. Mas há gente do mundo todo para conhecer